#A VOZ DO PASTOR #ROCEIRO ABRIL / MAIO E JUNHO 2018

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CRISTÃOS LEIGOS E LEIGAS
“Vós sois sal da terra e luz do mundo”(Mt 5,13-14)
A Igreja no Brasil está celebrando o “Ano do Laicato”, desde o dia 26 de novembro de 2017, e que se estenderá até o dia 25 de novembro de 2018. O tema deste ano do Laicato é: “Cristãos Leigos e Leigas, Sujeitos na Igreja em Saída, a serviço do Reino” e o Lema: “Sal da Terra e Luz do Mundo”(Mt 5,13-14).
Pela graça do Batismo, todo cristão (ã) é chamado a ouvir a Palavra de Deus, testemunhar a justiça, a paz e o amor fraterno. Trata-se do tríplice múnus: sacerdote, profeta e rei. Ninguém está dispensado dessa missão. Logo, todos os batizados devem ser sujeitos na Igreja e na sociedade, empenhados na construção de um mundo melhor. Este é o sentido do ser “sal da terra, luz do mundo” e fermento na massa. É missão de todo o povo de Deus sair para evangelizar. Toda a Igreja é convidada a sair agora para o encontro com Cristo vivo e com os irmãos em um mundo que clama por melhores condições de vida, sentindo o ‘cheiro das ovelhas’, envolvendo-se com obras e gestos, nos lembra o Papa Francisco (EG, 20-24).
Ser “sal da terra, luz do mundo” e fermento na massa significa “fazer a diferença que se quer ver no mundo”. O sal faz a diferença no sabor do alimento; a luz faz a diferença nas trevas; e o fermento faz a diferença na massa do pão, do bolo etc. Como cristãos (ãs), desejamos que o mundo fosse melhor. Porém, isso só acontecerá se nos esforçarmos para sermos pessoas melhores. Daí a necessidade de sermos mais santos (as), mais missionários (as), mais envolvidos (as) com todas as instâncias da sociedade, ajudando a formar opinião, tomar decisões justas, defender a vida. Afinal, os princípios cristãos precisam e devem interferir na estruturação da vida social.
Afirma-se a todo instante que o “Estado é laico”, querendo dizer com isto que os princípios da fé não devem interferir nas “coisas” do Estado. O Estado é laico, sim, é verdade. Mas, os cidadãos e cidadãs que constituem esse Estado são, na sua imensa maioria, homens e mulheres de fé. Portanto, sua fé há de fecundar, sim as realidades da sociedade e do Estado organizado. Aliás, o que seria do Estado Laico, sem o grande serviço de promoção humana e social realizado pelas Igrejas na sociedade brasileira e pelo mundo?
“Quem não toma postura diante de situações que comprovadamente matam, está compactuando com a morte”. Num mundo de tanta violência e desrespeito à vida, de tanta corrupção e desigualdades, precisamos de mais e mais homens e mulheres santos e santas, leigos e leigas, que vivam autenticamente a sua fé em meio a essas realidades, transformando-as, ainda que pouco a pouco e com a discrição do sal e do fermento, mas fazendo a diferença.
A Igreja precisa de fé para ser Igreja e precisa de política para fazer com que aquilo em que acredita se torne realidade. No entanto, para que a realidade do Reino se aproxime, é preciso que cada um de nós tenha atitudes que sejam verdadeiramente políticas e não politiqueiras; atitudes que colaborem para a melhoria da saúde, habitação, emprego, dos transportes, da educação, da seguridade social, dos cuidados com o meio ambiente, das relações familiares e comunitárias, do respeito aos valores de nossa fé etc.
Saímos de Ano Mariano e entramos no Ano do Laicato. Estamos vivenciando a Campanha da Fraternidade com o tema da Superação da Violência pela cultura da Paz e com o coração ligado no Sínodo dos Jovens, em Roma. Estamos no Tempo Pascal. Tudo está conectado. Então podemos suplicar: Que Maria, a mulher mãe, leiga, santa, solidária com seu povo, que se deixou guiar pelo Espírito Santo, ajude o nosso laicato, com seu testemunho e intercessão, a ser homens e mulheres santos, envolvidos nas realidades da vida, levando a elas o sabor e o poder de conservação do sal, não permitindo que se corrompam com os vermes da injustiça, violência, corrupção, imoralidade e qualquer tipo de maldade; que Maria ajude nossos jovens a serem fermento de uma esperança pascal, na edificação do Reino de Deus. E, assim, os leigos e leigas levem ao mundo o brilho da luz de Cristo ressuscitado, para que vendo suas boas obras, a nossa sociedade possa glorificar o Pai do Céu.

Dom Ailton Menegussi

Bispo diocesano

 

 

 

 

 

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