#A VOZ DO PASTOR #ROCEIRO JULHO/AGOSTO 2018

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GAUDETE ET EXSULTATE – ALEGRAI-VOS E EXULTAI (Papa Francisco)

Meus caríssimos irmãos e irmãs, adentramo-nos na segunda metade do ano. Logo estaremos batendo às portas do Mês Vocacional (Agosto). E, neste ano, temos a palavra preciosa do Papa Francisco, para nos ajudar a todos a refletir sobre o nosso chamado à santidade. De uma forma bem clara, o Papa Francisco nos fala daquela santidade vivida no cotidiano de nossa vida, que ele bem definiu como “santidade ao pé da porta.” Por isso, convido a cada um (a) a saborear alguns trechos da Exortação “Agude-te” Et Exsultate, que, traduzindo significa “Alegrai-vos e Exultai”, na qual o Papa Francisco nos fala sobre o chamado à santidade no mundo atual.

“ALEGRAI-VOS E EXULTAI” (Mt 5, 12), diz Jesus a quantos são perseguidos ou humilhados por causa d’Ele. É com estas palavras de Jesus, que nos quer santos e santas e espera que não nos resignemos com uma vida medíocre, superficial e indecisa, que o Papa Francisco provoca-nos, mais uma vez, chamando-nos à santidade, que deve ser encarnada no contexto atual, com os seus riscos, desafios e oportunidades, porque o Senhor escolheu cada um de nós “para ser santo e irrepreensível na sua presença, no amor” (cf. Ef 1, 4 in GE,2).

Os santos, que já chegaram à presença de Deus, mantém conosco laços de amor e comunhão. Atesta isso o Livro do Apocalipse, quando fala dos mártires intercessores: “Vi debaixo do altar as almas dos que tinham sido mortos, por causa da Palavra de Deus e por causa do testemunho que deram. E clamavam em alta voz: “Tu, que és o Poderoso, o Santo, o Verdadeiro! Até quando esperarás para julgar?” (6, 9-10). Podemos dizer que “estamos circundados, conduzidos e guiados pelos amigos de Deus. (…) Não devo carregar sozinho o que, na realidade, nunca poderia carregar sozinho. Os numerosos santos de Deus protegem-me, amparam-me e guiam-me” (GE,4).

Gosto de ver a santidade no povo paciente de Deus: nos pais que criam os seus filhos com tanto amor, nos homens e mulheres que trabalham, a fim de trazer o pão para casa, nos doentes, nas consagradas idosas que continuam a sorrir. Nesta constância de continuar a caminhar dia após dia, vejo a santidade da Igreja militante. Esta é muitas vezes a santidade «ao pé da porta», daqueles que vivem perto de nós e são um reflexo da presença de Deus… A santidade é o rosto mais belo da Igreja (GE,7.9).

Para ser santo, não é necessário ser bispo, sacerdote, religiosa ou religioso. Muitos pensam que para ser santo é preciso se afastar das ocupações comuns, para dedicar muito tempo à oração. Não é assim. Todos somos chamados a ser santos, vivendo com amor e oferecendo o próprio testemunho nas ocupações de cada dia, onde cada um se encontra. És uma consagrada ou um consagrado? Sê santo, vivendo com alegria a tua doação. Estás casado? Sê santo, amando e cuidando do teu marido ou da tua esposa, como Cristo fez com a Igreja. És um trabalhador? Sê santo, cumprindo com honestidade e competência o teu trabalho ao serviço dos irmãos. És progenitor, avó ou avô? Sê santo, ensinando com paciência as crianças a seguirem Jesus. Estás investido em autoridade? Sê santo, lutando pelo bem comum e renunciando aos teus interesses pessoais (GE,14).

Deixa que a graça do teu Batismo frutifique num caminho de santidade. Não desanimes, porque tens a força do Espírito Santo para tornar possível a santidade. Quando sentires a tentação de te enredares na tua fragilidade, levanta os olhos para o Crucificado e diz-Lhe: “Senhor, sou um miserável! Mas Vós podeis realizar o milagre de me tornar um pouco melhor” (GE,15).

Cada santo é uma missão. Cada santo é uma mensagem que o Espírito Santo extrai da riqueza de Jesus Cristo e dá ao seu povo num momento determinado da história, expressando um aspeto do Evangelho (GE,19.21).

Não tenhas medo da santidade. Ela não te tirará forças, nem vida nem alegria. Muito pelo contrário, porque chegarás a ser o que o Pai pensou quando te criou e serás fiel ao teu próprio ser. Cada cristão, quanto mais se santifica, tanto mais fecundo se torna para o mundo (GE,32.33).

Jesus explicou, com toda a simplicidade, o que é ser santo; e o fez quando nos deixou as bem-aventuranças (cf. Mt 5, 3-12; Lc 6, 20-23). Estas são como que o bilhete de identidade do cristão. Assim, se um de nós se questionar sobre “como fazer para chegar a ser um bom cristão”, a resposta é simples: é necessário fazer – cada qual a seu modo – aquilo que Jesus disse no sermão das bem-aventuranças (63).

O santo é capaz de viver com alegria e sentido de humor. Sem perder o realismo, ilumina os outros com um espírito positivo e rico de esperança. Ser cristão é “alegria no Espírito Santo” (Rm 14, 17), porque, “do amor de caridade, segue-se necessariamente a alegria. Pois quem ama sempre se alegra na união com o amado. (…) Daí que a consequência da caridade seja a alegria.” O mau humor não é um sinal de santidade: “lança fora do teu coração a tristeza” (Ecl 11, 10 in GE,122.126).

Os santos surpreendem, desinstalam, porque a sua vida nos chama a sair da mediocridade tranquila e anestesiadora (GE,138). Por isso, santidade é ousadia, isto é, impulso evangelizador que deixa uma marca neste mundo (GE, 129). Por isso, se ousarmos ir às periferias, lá O encontraremos. Ele já estará lá. Jesus se antecipa a nós no coração daquele irmão, na sua carne ferida, na sua vida oprimida, na sua alma sombria. Ele já está lá (GE,135).

Por fim, o Papa lembra de Maria, porque Ela viveu como ninguém as bem-aventuranças de Jesus. É a mais abençoada dos santos, Aquela que nos mostra o caminho da santidade e nos acompanha. Conversar com Ela consola-nos, liberta-nos, santifica-nos. A Mãe não necessita de muitas palavras, não precisa que nos esforcemos demasiado para Lhe explicar o que se passa conosco. É suficiente sussurrar uma vez e outra: «Ave Maria… (GE,176).

Que estes ensinamentos do nosso querido Papa Francisco nos ajudem a fazer um belo caminho de santidade no dia a dia de nossa vida em comunidade! Que nossos santos (as) padroeiros (as), tão festejados por todos nós, sejam, de verdade, estímulos para a nossa caminhada em busca da santidade de vida, dentro do contexto atual de nossa sociedade!

Todos os santos (as) padroeiros (as) de nossas comunidades, rogai por nós!

Dom Ailton Menegussi

Bispo diocesano

 

 

 

 

 

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