#A VOZ DO PASTOR #ROCEIRO MAIO/JUNHO2020

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CORONAVÍRUS – PÁSCOA – IGREJA DOMÉSTICA

Queridos irmãos e irmãs em Cristo Ressuscitado,

Vivenciamos nossa caminhada quaresmal, a Semana Santa e, agora, as festividades pascais e os santos juninos, solidários com toda a humanidade, na prevenção e luta contra a pandemia do Coronavírus.

O Coronavírus é uma manifestação de um aspecto de uma “pandemia” maior e mais grave, que vem assolando a humanidade nestes últimos tempos. “Vivemos já muito tempo na degradação moral, descartando a ética, a bondade, a fé, a honestidade; chegou o momento de reconhecer que esta alegre superficialidade de pouco nos serviu. É necessário voltar a sentir que precisamos uns dos outros; que temos uma responsabilidade para com os outros e o mundo; que vale a pena ser bons e honestos” (Laudato Sì, 229). Sem isto, será difícil o reconhecimento de que somos contemporâneos uns dos outros, irmãos uns dos outros. Sem isto continuaremos construindo um deserto de seres humanos cansados, inquietos, agitados, desmotivados, neuróticos, violentos e carentes da percepção do divino.

Quero aqui, citar um texto de Augusto Cury, que, a meu ver, descreve bem essa realidade de uma “pandemia” maior, que o Coronavírus poderá nos ajudar a curar:

“Foi necessário um vírus para desacelerar o planeta. E ele veio por uma bofetada na nossa cara.

Foi necessário um vírus para olharmos com cuidado, zelo e percebermos a fragilidade dos nossos idosos; para os pais ficarem com seus filhos e não atribuírem essa responsabilidade aos avós.

Foi necessário um vírus para lembrarmos de conversar com Deus, pois isso andava meio fora de moda; para fazer a gente rezar, para fazermos orações para o mundo e não só para nós. Foi necessário um vírus para voltarmos a ter fé.

Foi necessário um vírus para mostrar que classe social, raça, crença, orientação sexual não tem diferença diante de uma epidemia; prá fazer a gente perceber que somos um, que o individualismo não resolve nada, que precisamos de todos.

O vírus nos privou do abraço para percebermos o quanto ele é valioso, e ajudou a gente perceber o quanto nossas mãos precisam ser higienizadas e que com esse hábito evitaríamos muitas doenças.

O vírus desacelerou até o consumismo, pois as pessoas não vão sair por aí comprando, comprando e comprando! Sairemos de casa para comprar apenas o necessário.

O vírus fez nos fez perceber que cozinhar para nossa família é a forma mais segura de alimentá-la. (isso também andava meio fora de moda)

O vírus veio nos mostrar que o ar pode ficar mais puro com a diminuição de carros circulando, e que as pessoas podem caminhar mais, evitando o transporte público.

O vírus veio nos ensinar a agradecer todos os dias por estarmos saudáveis e perceber o quanto a vida é frágil e que precisamos cuidar do nosso corpo e da nossa alma.

O vírus veio nos mostrar que não devemos subestimar as coisas pequenas. Afinal ele é tão pequeno, invisível aos olhos e está mudando o comportamento do mundo. Foi necessário um vírus para a gente acordar. E aquele tempo que sempre dizíamos que não tínhamos? Então, o vírus nos mostrou que ele existe.”

Pois bem. Mais do que desespero, este é um tempo de esperança cristã, de esperança pascal. Não podemos desanimar. Esperamos que em breve tudo isso venha a ser lembrado como um fato, uma experiência do passado, porém com muitos ensinamentos para o presente e o futuro. Deus nos ajudará a vencer esta pandemia do Coronavírus, para que vençamos aquela “outra grande pandemia”, que há muito tempo vem “adoecendo” os pulmões da Igreja, dos Poderes Legislativo, Executivo e Judiciário, da economia, da cultura, da sociedade, das famílias, enfim.  Esperamos que o “ar puro” da fé, proporcionado pelo “respirador” da Igreja Doméstica nos ajude a sair da quarentena quaresmal e da “cinquentena” pascal mais humanizados, mais fortes e revigorados na fé, enquanto cristãos e cidadãos, em nossas famílias e comunidades.

Por certo, estes meses de maio e junho ainda serão marcados com as “restrições” do isolamento social. Isto não poderá impedir as famílias de cultivar sua devoção mariana tão belamente celebrada na Novena do Mês de Maio. Você poderá receber pelas redes sociais os roteiros de cada semana, para rezar com sua família. As mães não serão esquecidas, é claro. A elas todo o meu carinho e respeito. E as festas juninas? Tenho certeza que não faltará criatividade.

Meu irmão e irmã, desde 1977, com o Papa São Paulo VI, a Igreja vem propondo ao mundo a “civilização do amor.” Que esta experiência de isolamento social nos oriente para o “amor social, que é a chave para um desenvolvimento autêntico: para tornar a sociedade mais humana, mais digna da pessoa. É necessário revalorizar o amor social nos planos políticos, econômico, cultural, fazendo dele a norma constante e suprema do agir” (CDSIg, 582).

Em Jesus e em Maria,

Dom Ailton Menegussi

Bispo Diocesano de Crateús

 

 

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