A prudência é nossa maior amiga dentro das redes sociais

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Caro internauta, acredito que posso afirmar que a internet, com as suas mais variadas plataformas, especialmente as de redes sociais, como que por simbiose, integrou-se à nossa vida quotidiana. Assim, a rede mundial de computadores já faz parte do DNA social, fato esse irremediável e, ao que tudo indica, irreversível. Na esteira desse assunto, quero dividir com você uma experiência que vivi alguns dias atrás quando conheci uma nova ferramenta virtual.

De vez em quando, eu utilizo aquela conhecida plataforma de compartilhamento de vídeo para me atualizar acerca das notícias do Brasil e do mundo. Enquanto assistia a esses vídeos, passei a perceber que, logo no seu início, havia uma recorrente propaganda de certo aplicativo de celular que, por sinal, está sendo muito usado atualmente. Inicialmente, não dei importância. Tamanha foi a massificação propagandística, que resolvi fazer uma rápida pesquisa para saber do que se tratava aquele app, cujo nome onomatopaico fazia-me pressupor que tivesse alguma relação com os ponteiros do relógio.

Fiquei, sinceramente, tão impactado com o resultado de minha pesquisa, que fui colocado diante de um dilema existencial importante: ou eu já me encontrava numa fase da vida que outorgava aos outros, especialmente aos mais novos, a licença de me tratarem como alguém arcaico ou, realmente, eu estava diante de um aplicativo, até certo ponto, vazio de serventia.

Fazer papel de “bananas” nas redes sociais

Perdoem-me os mais jovens, mas essa situação me fez recordar de um antigo programa de televisão cujos episódios eu havia assistido lá pelas alturas da minha tenra infância: o “Bananas de Pijama”. Para contextualizar aos que nunca ouviram falar nesse programa, tratava-se de uma espécie de seriado infantil em que duas pessoas se vestiam, dos pés à cabeça, com uma fantasia (no mínimo bizarra) de uma grande banana e, é claro, usando pijamas.

Admito que já não me lembro com clareza dos detalhes dos episódios, dado os longos anos que se passaram desde então, porém, para as crianças, especialmente daqueles tempos em que as mídias eram menos apelativas, até que despertava certo interesse. Diante do olhar de um adulto, contudo, tratava-se de algo, desculpe o termo, bobo. Mas você pode estar se perguntando: “o que tem a ver os ‘Bananas de Pijama’ com o aplicativo do qual falei anteriormente?”. Estou convencido, caro internauta, de que este app está levando as pessoas a fazerem o mesmíssimo papel dos personagens acima citados. Não apenas os jovens, mas até mesmo os adultos estão sendo levados a fazerem papel de “bananas” e, o que é mais curioso, de maneira pública. É ou não é uma situação um tanto quanto vergonhosa?

Bom… Deixando os Bananas de lado e retornando o meu testemunho, pouquíssimo tempo se passou depois que eu havia assistido ao primeiro vídeo de uma dancinha “engraçadinha”, o que eu julgava improvável aconteceu: alguns minutos exposto àquilo, eu me peguei totalmente entretido, totalmente entregue, com as guardas inteiramente abaixadas. Faltou bem pouco para eu registrar alguma fanfarronice e me juntar ao grupo.

Qual seu critério?

Milagrosamente, voltei à razão! De certo, ela estava um pouco enfraquecida pelas sequências das imagens que eu acabara de consumir, mas voltei! Foi então que uma luz vermelha se acendeu dentro de mim e me dei conta de que seria capaz de passar o restante da noite me deleitando diante das bobagens que se me haviam apresentadas. Estava eu, de fato, hipnotizado.

Contei esse testemunho, um pouco exagerado – confesso –, não para transmitir a você uma mensagem apocalíptica, mas para chamar sua atenção para aquilo que você tem consumido pela internet. O mínimo de critério nas escolhas do que você tem permitido entrar pelos seus olhos e pelos ouvidos se faz muito necessário. O que está em jogo não é pouca coisa: sua saúde espiritual e, até mesmo, psicológica.

Certamente, existem muitos conteúdos edificantes em todas as redes sociais, porém, também existem aqueles que, quando não nos afetam negativamente, distraem-nos e fazem-nos desperdiçar o tempo precioso que Deus nos deu. Portanto, seja bastante criterioso com o conteúdo que você busca e que está consumindo na internet.

Coleira moderna

Amados jovens, não quero, de forma nenhuma, ser deselegante, mas “quattuor-pes” seria uma expressão latina que talvez pudesse ser usada para caracterizar a forma como estamos sendo colocados diante das tantas ferramentas de distração em massa que estão ao alcance dos nossos dedos. De bípedes para quadrúpedes, tem bastado apenas um celular e um aplicativo. O celular é uma coleira moderna, portanto, não sejamos inocentes! Veja que interessante o que o Papa Francisco escreveu no número 139 de sua Exortação Apostólica Christus Vivit: “o jovem caminha com dois pés […], sempre a olhar para diante”. É o nosso Sumo Pontífice dizendo com todas as letras que não somos quadrúpedes.

Certa vez, Jesus chamou os Seus discípulos à parte e deu-lhes um ensinamento: “Eis que vos envio como ovelhas entre lobos. Por isso, sede prudentes como as serpentes e sem malícia como as pombas” (Mt 10, 16). Pelo jeito, em certos aspectos, o cenário de hoje não mudou muito em relação ao tempo de Jesus, afinal, os lobos estão por todas as partes e, por que não dizer, em suas mãos. Pode ser que você ainda não tenha percebido, mas muitos aplicativos de celular estão tentando nos metamorfosear em mortos-vivos, semelhante àqueles personagens bisonhos do seriado “The Walking Dead”.

Por que os jovens são os mais atacados?

Existem muitas razões, porém, quero apontar para uma das mais importantes, senão a mais: os jovens são o futuro da humanidade. Uma juventude doente hoje é um mundo combalido amanhã; uma juventude sem perspectiva hoje significa um mundo extremamente enfraquecido amanhã. Sabemos que a fase da juventude é justamente o período em que os sonhos deveriam estar em alta. É o tempo das primeiras grandes responsabilidades, das decisões mais importantes, aquelas que podem reverberar para o resto da vida. É o tempo do aprender, do formar-se, do crescer, do amadurecer, do adquirir conhecimento, do firmar o passo, do concentrar-se na vida real com os seus inerentes problemas.

Portanto, jovem, pare um pouco, encha os pulmões de ar, oxigene o sangue que está sendo bombeado para o cérebro e não despreze esses sábios apelos de alguém que muitos ama os jovens: “por favor, não deixeis para outros o ser protagonista da mudança! Vós sois aqueles que detêm o futuro! Através de vós, o futuro entra no mundo. Peço-vos para serdes construtores do futuro. Queridos jovens, por favor, não ‘olheis da sacada’ a vida, entrai nela. Sede […] capazes de resistir às patologias do individualismo consumista e superficial”, diz o Papa Francisco.

Em outras palavras, o Papa está dizendo: “Saia da passividade”; “pegue, com as suas mãos, as rédeas da sua vida”. Jovem, você não foi feito por Deus para permanecer toda a sua existência na superficialidade. As redes sociais apenas fazem parte da nossa vida, não a são. Portanto, façamos o propósito de usá-las com muita sabedoria e destreza. Veja o que o célebre filósofo católico Louis Lavelle, na sua admirável obra “O erro de Narciso” fala a respeito da sabedoria: “A sabedoria é […] uma virtude da inteligência e uma virtude da vontade. […] virtude da inteligência, porque consiste, primeiro, em reconhecer onde está a medida”. Portanto, que tal aprendermos a usar comedidamente as redes sociais? Seja sábio!

Como diria um antigo, mas sábio ditado popular, “prudência e caldo de galinha não fazem mal a ninguém”. Deus abençoe você e até a próxima!

Por: Gleidson Carvalho

Fonte: Canção Nova

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