ORIENTAÇÕES E DICAS PARA TRABALHO EM GRUPO

padre_aldenor-1.jpg
  1. JUSTIFICATIVA

 Constato que em muitos espaços humanos, mesmo em Igrejas, os momentos de reunião deixam a desejar. Ao meu ver, em certos casos, demonstram certa desorganização. Por consequência geram reuniões muito demoradas e até sem resultados satisfatórios. Também constato, o que é mais lamentável, a injustiça da má distribuição da palavra: pessoas que “coordenam”, sem entender bem as obrigações que lhes cabem, ou são as primeiras a falar (e às vezes falam sozinhas), ou deixam que a palavra fique concentrada em dois ou três mais desinibidos. Tais constatações, então, é que me fazem apresentar as presentes orientações e dicas.

  1. FUNDAMENTAÇÃO BÍBLICA

 Para o Apóstolo Paulo, a Comunidade Cristã é vista e apresentada ao modo do corpo humano. Como cada pessoa, apesar de ter muitos membros, é constituída em um único corpo, assim também a Comunidade: mesmo que individualmente sejamos muitos, por meio da fé em Cristo somos uma só realidade, somos um só corpo (ver 1Cor. 12, 12 – 27). Como no corpo pessoal os membros não desprezam uns aos outros, mas se interligam e cooperam para o bem do todo, na Comunidade deve ocorrer a mesma coisa. Deve cumprir-se nela o ditado: “Um por todos e todos por um”. Neste sentido, quando se tratar de reuniões de grupos da Comunidade, a dinâmica do corpo deve ser levada em consideração. Aí, será preciso saber e utilizar todos os meios disponíveis para permitir a efetiva participação de todos que estiverem numa eventual reunião. Como no corpo, nenhum membro pode ser desvalorizado. E deve-se admitir que todos têm alguma contribuição a dar.

  1. PROCEDIMENTOS PRÁTICOS E ORGANIZATIVOS

 a) Coordenação: Conforme a figura do corpo, a função de coordenação numa reunião ocupa a posição de “cabeça”. Para dar direcionamento e levar a objetivos estabelecidos ela é função prioritária e indispensável. Ao ser executada, portanto, deve obedecer alguns paços e adotar certos procedimentos. Em primeiro lugar, através do acordo e opinião expressa dos presentes, define-se a pauta da reunião. Em seguida, devem ser previstos dois outros serviços: o de RELATOR (A) e o de REGULADOR (A) DO TEMPO (implica em que a duração da reunião também seja combinada e prevista diante mão).

Cabe ainda a quem coordena o papel de administrar a palavra dos envolvidos na reunião. Neste sentido, tem autoridade tanto de conceder a palavra quanto de retirá-la a qualquer membro do grupo (contanto que tenha justificativa, como evitar que uma só pessoa concentre o direito de falar, ou fazer que o tempo dado à reunião seja de fato obedecido). Em vista desta pretendida organização também cuida para que as pessoas não falem todas ao mesmo tempo…

Quem coordena, por fim, tem a responsabilidade de concluir a reunião retomando assuntos abordados e recordando decisões tomadas. Se algum tipo de compromisso pós-reunião tiver sido acertado, é dever de quem coordena relembrá-lo a todos.

b)  Relator (a): A função de relatoria (secretaria) auxilia e completa e Coordenação. Para tal, ajuda a manter a atenção e fidelidade aos assuntos previamente definidos como pauta. Sempre que precisa relembra os tais assuntos. Assim evita desvios e a indesejada perca de tempo.

Algo ainda deve ser observado na função de relatoria. Quem a assume deve manter fidelidade às discussões e decisões do grupo. Aí, então, ao anotar e comunicar ideias deve ser fiel ao pensamento do grupo. Evita, portanto, apresentação de opiniões pessoais, muitas vezes demonstradas na expressão “eu acho”.

c)  Regulador (a) do tempo: Não é serviço sem importância. Atenta ao relógio, a pessoa que regula o tempo é a principal responsável por ajudar o grupo a não se dispersar. Ela observa tanto o tempo geral da reunião quanto o tempo concedido às intervenções pessoais. Afim de bem ajudar, cuida de lembrar antecipadamente a quem coordena o tempo que falta para o término da reunião. Nunca deve deixar para lembrar no limite do tempo, no instante em que os trabalhos devem ser encerrados.

 4. CONCLUSÃO

 Através das notas aqui concluídas percorremos observações e orientações para quem faz trabalhos em grupo. Não pretendem ser algo obrigatório nem rígido, que engesse os movimentos e espontaneidade das reuniões. Seu uso inteligente, porém, com as devidas adaptações, creio que facilitará maior rendimento (e até em menos tempo) aos nossos grupos. Vamos experimentar?

Pe. Aldenor C. de Oliveira

Monsenhor Tabosa – Ceará

Novembro/2016

Comentários

Top