#A VOZ DO PASTOR #ROCEIRO JULHO/AGOSTO 2019

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NOVAS DIRETRIZES GERAIS DA AÇÃO EVANGELIZADORA DA IGREJA NO BRASIL (2019-2023)

Diretrizes novas não quer dizer um programa novo. O programa é o mesmo de sempre: o Evangelho e a Tradição viva da Igreja, mas necessariamente traduzidos em orientações pastorais ajustadas às condições de cada comunidade (NMI, 29). Aqui está a sabedoria da Igreja. Este pequeníssimo resumo quer tão somente estimular você, caro leitor, a tomar conhecimento das Novas Diretrizes.

OBJETIVO GERAL:

EVANGELIZAR no Brasil cada vez mais urbano, pelo anúncio da Palavra de Deus, formando discípulos e discípulas de Jesus Cristo, em comunidades eclesiais missionárias, à luz da evangélica opção preferencial pelos pobres, cuidando da Casa Comum e testemunhando o Reino de Deus rumo à plenitude.

Jesus Cristo, O Missionário do Pai, veio anunciar a boa nova do Reino de Deus, que instaurou com a sua encarnação, vida, morte e ressurreição e é o “Reino da verdade e da vida, Reino da santidade e da graça, Reino da justiça, do amor e da paz” (Missal Romano – Prefácio Jesus Cristo Rei do Universo).  E Ele  disse aos apóstolos: “Ide pelo mundo inteiro e proclamai o Evangelho a toda a criatura!” (Mc 16,15). Essa responsabilidade missionária chega até nós.

As novas DGAEIB – 2019-2023 – estão estruturadas a partir da Comunidade Eclesial Missionária, apresentada com a imagem da “casa”, “construção de Deus” (1Cor 3,9), acentuando as perspectivas pessoal, comunitária e social da evangelização, bem como a perspectiva ambiental, no espírito da Laudato Sì. Ela é convidada a vivenciarem sua missão sustentada por quatro pilares: Palavra, Pão, Caridade e Ação Missionária. As 04 urgências anteriores estão assim contempladas: Pilar da Palavra – Iniciação à Vida Cristã e Animação Bíblica; Pilar do Pão – Liturgia e espiritualidade; Pilar da Caridade – Serviço à vida plena; Pilar da Ação Missionária – estado permanente de missão.

Algumas perguntas devem nos inquietar: Até que ponto a força do Evangelho está transformando verdadeiramente o homem deste nosso século? Quais os métodos que hão de ser seguidos para proclamar o Evangelho de modo que a sua potência possa ser eficaz?”(EN, 4). O Papa Francisco nos dá uma indicação: “Trata-se de pôr a missão de Jesus no coração da Igreja, transformando-a em critério para medir a eficácia de suas estruturas, os resultados de seu trabalho, a fecundidade de seus ministros e a alegria que eles são capazes de suscitar. Porque, sem alegria não se atrai ninguém” (Guia do MME, CNBB, p. 09)

Muitos desafios marcam, com suas luzes e sombras, os tempos atuais: a emancipação do sujeito, a pluralidade, o avanço de novas tecnologias, a globalização pelo secularismo, relativismo, liquidez, indiferentismo e a cultura urbana, que não se refere somente aos que residem nas cidades, porque a mentalidade e o estilo de vida urbanos alcançam os rincões mais distantes. Outros desafios são: o consumismo, definido pelo Papa Francisco como “doença muito séria” (Francisco, 26/11/18), que leva a consumir, esgotar e substituir insaciavelmente. Nesse sentido, a defender a Amazônia é responsabilidade de todos para com todos, e não somente com os brasileiros que lá se encontram; a corrupção, atitude centrada nos próprios interesses e ganhos; o dilacerante comércio das drogas, cujo desejo de lucrar gera um número crescente de vítimas; a violência, que vê na morte do outro a solução para conflitos; a legalização da morte de quem ainda nem nasceu; os grupos de extermínio; a acentuação da individualidade causando o enfraquecimento das instituições e das tradições (DAp, 39) dentre elas a família, atacada por uma mentalidade que afirma ser a família uma realidade ultrapassada; o fenômeno da alta mobilidade de  pessoas (migrantes) buscando vida, e sobrevivência. Ligada a todos estes desafios, encontra-se a pobreza, ausência do necessário para uma vida humana digna. A consequência de tudo isso é a crise de sentido (DAp, 37), que gera desesperança, esgotamento existencial, depressão, chegando até ao suicídio. Há ainda o desafio ambiental do mundo de nossos dias. Todos estes desafios afetam mais diretamente os jovens. Eles sentem na pele “a confusão e o atordoamento” (Francisco, Carta aos Jovens), diante de tanta precariedade e fragilidade de referências.

As pessoas precisam de lugares, onde possam expor a sua nostalgia interior. A vida fraterna em pequenas comunidades abertas, acolhedoras, misericordiosas, de intensa vida evangélica, constitui fundamento sólido para o testemunho da fé, oferecendo um ambiente humano de proximidade, confiança, partilha de experiências, ajuda mútua e inserção concreta nas diversas situações. Eis o caminho da evangelização.

A comunidade eclesial tem na Eucaristia a sua mesa por excelência, que transforma as pessoas em discípulos missionários de Jesus Cristo, testemunhas do Evangelho do Reino. Quando reduzimos tudo ao fazer, corremos o risco de nos contentar apenas com reuniões, planejamentos e eventos.

A Igreja não é uma alfândega; é a casa paterna, com lugar para todos (EG, 47). Cristo deseja uma Igreja servidora, samaritana, pobre com os pobres. “Não podemos ser uma Igreja que não chora à vista destes dramas dos seus filhos jovens. Não devemos habituar-nos a isto, pois, quem não sabe chorar, não é mãe.

Nosso sistema social e econômico é injusto na sua raiz. A boa política é um meio privilegiado para promover a paz e os direitos humanos fundamentais. Diante disso, nossas comunidades precisam ser oásis de misericórdia (MV,12) no deserto da história, casas de oração profunda. A afetividade, a empatia, a ternura devem ser as marcas desta casa da fraternidade, que promove a “revolução da ternura” (EG,88).

Em atenção à Palavra de Jesus e ao ensinamento da Igreja, especialmente sua doutrina social, que iluminam os critérios éticos e morais, nossas comunidades devem ser defensoras da vida desde a fecundação até o seu fim natural; do nascituro ao idoso, da casa comum ao emprego, saúde e educação.

A missão é intrínseca à fé cristã. Conhecê-lo é o melhor presente que podemos receber; encontrá-lo é o melhor que pode nos ocorrer, torná-lo conhecido com palavras e obras é nossa alegria” (Ap 29).

No entanto, “não se trata de inventar um ‘programa novo’. O programa é o mesmo de sempre, expresso no Evangelho e na Tradição viva. Mas, é necessário traduzi-lo em orientações pastorais ajustadas às condições de cada comunidade”.(NMI, 29). Aqui está a sabedoria da Igreja.

Sem a Mariologia, o Cristianismo se desumaniza. Portanto, valorizar a dimensão mariana e outras formas de piedade popular na evangelização e missionariedade da Igreja, é reconhecer que Maria foi a primeira missionária, que animou os discípulos na comunidade primitiva, com sua presença, fé e esperança.

Com meu abraço afetuoso e votos de uma fecunda caminhada vocacional missionária.

Dom Ailton Menegussi

Bispo Diocesano

 

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