#A VOZ DO PASTOR #ROCEIRO MAIO/JUNHO 2019

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DEVOÇÃO A NOSSA SENHORA, MÃE DE DEUS

O Mês de Maio é vivenciado, celebrado de maneira tão intensa e tão bonita pelas nossas comunidades, famílias e mesmo individualmente. Partindo dessa realidade, propomos uma reflexão sobre a devoção à Maria, que também nos ajudará a celebrar os santos juninos: Antônio, João Batista, Pedro e Paulo.

Dentre os santos (as) de Deus, Maria, Mãe de Jesus, ocupa o primeiro lugar (Lucas 1,42). É, portanto, fundamentados na Bíblia Sagrada, que louvamos Maria, chamando-a de bem-aventurada. Nós, cristãos católicos, veneramos Maria porque Deus a escolheu para ser a mãe de seu filho Jesus, nosso único Redentor e Salvador (Lucas 1,35).

Como ouvimos do evangelista Lucas, o culto a Maria está fundado na Sagrada Escritura, quando se afirma em Lucas 1,42: ” Isabel, cheia do Espírito Santo, exclamou: bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre”. Maria recebeu de Deus a plenitude da graça e, por esta razão, é saudada pelo Anjo como “cheia de graça” (Lucas 1,28). Ela mesma, Maria, sentindo-se agraciada por Deus, exclama: “Todas as gerações me chamarão de bem-aventurada” (Lucas 1,48).

Desde aquele momento da anunciação do Anjo até a morte de seu Filho na cruz, a vida de Maria foi uma grande provação. No entanto, sua fé jamais vacilou. Maria não deixou de crer no cumprimento da Palavra e das promessas de Deus. Por isso, a Igreja, nós cristãos católicos, nossas comunidades a veneramos como a mais pura expressão da fé (CIC 149).

Impossível estar perto de Maria e longe de Jesus ao mesmo tempo. Nós amamos Maria, exatamente porque amamos o Filho de Maria, Jesus Cristo, nosso Salvador. E ela nos ensina a sermos fiéis discípulos (as) do seu Filho: “Fazei tudo o que ele vos disser” (Jo 2,5). Maria é a primeira que nele acreditou, quando deu o seu “sim” ao plano de Deus, que lhe fora anunciado pelo Anjo Gabriel.

Deus quis encarnar-se, assumir nossa humanidade, a fim de nos salvar. E Maria foi quem deu a Jesus a carne e o rosto humanos; e Deus, encarnando-se na pessoa do Filho Jesus no ventre de Maria, nos fez participantes de sua divindade. Uma troca de dons entre o céu e a terra. Por isso que a devoção à Virgem Maria é “intrínseca ao culto cristão” (Vaticano II – LG 62).

Porém, esse culto a Maria, mesmo sendo inseparável da fé cristã, ele é diferente do culto que se presta à Santíssima Trindade. Ao Deus Uno e Trino: Pai, Filho e Espírito Santo, nosso culto é de adoração; enquanto a Maria, é de veneração.

Este culto de veneração todo especial à Maria se justifica porque ela é reconhecida como “Mãe do meu Senhor” (Lucas 1,43). Portanto, ela é Mãe de Deus, por ser a Mãe de Jesus, o Deus encarnado (Definição do Concílio de Éfeso – ano 431).

Ao longo da história do Cristianismo, Maria recebeu inúmeros títulos: Nossa Senhora das Graças, de Lourdes, Aparecida, de Guadalupe, de Fátima, do Carmo, da Penha, do Rosário, da Saúde, da Glória, Rainha da Paz, do Perpétuo Socorro, de Montserrat, do Monte Calvário, dos Navegantes, da Guia etc. Mas é sempre a mesma Maria de Nazaré, a Mãe de Jesus que a Bíblia nos apresenta toda de Deus (Lucas 1,38), toda do povo (Lucas 1,39-56), orando com a Igreja (Atos 1,14).

Maria é também a Mãe da Igreja. Como assim? Foi Jesus que, morrendo na cruz, entregou sua mãe à Igreja, na pessoa do discípulo João que, junto com Maria, estava aos pés da cruz: “Eis aí tua mãe” (João 19,27). E o discípulo a levou para sua casa. A casa do discípulo, nós sabemos, é a comunidade, a Igreja. Maria é, portanto, presença materna na comunidade dos que acreditam em Jesus.

O exemplo de Maria não afasta de Jesus, pelo contrário, arrasta a humanidade para a adoração de seu Filho: “Fazei tudo o que Ele vos disser” (João 2,5). Estas são as últimas palavras de Maria na Bíblia. Portanto, o que ela nos ensina é a fazer tudo que seu Filho nos disse, ensinou e fez. Este pode ser chamado de “o testamento de Maria”, que ela nos deixou; deixou para a Igreja, para os seguidores (as) de Jesus.

No Monte Tabor, quando da transfiguração de Jesus, o Pai diz: “Este é o meu filho amado, que muito me agrada. Escutem o que ele diz“ (Mateus 17,5). Que bela sintonia de corações, o de Maria e o de Deus Pai! Ambos nos mandam fazer o que Jesus disse. Por isso, quem está perto de Maria, não fica longe de Jesus nem está fora de sintonia com Deus Pai.

Podemos afirmar aqui, que o culto à Maria é bíblico, e nele não há idolatria. A devoção à Maria nos leva a Jesus, à comunhão com Ele e com o Pai e com o Espírito Santo que agia em Jesus. Portanto, Jesus é e deve ser sempre a meta de toda devoção mariana.

A alegria de Maria é que sigamos o seu Filho Jesus. Assim sendo, Maria não é o centro da fé, pois o centro da nossa fé é Jesus.  Ela faz parte desse centro da fé, porque faz parte, de forma única, da vida de Jesus.

Meu irmão, minha irmã, caríssimo leitor, participe ainda mais entusiasmado das celebrações marianas que estão acontecendo por toda parte, nas ruas, famílias, capelas, escolas, sedes dos bairros, grupos de pastoral, movimentos, escolas e festejos de padroeiros! E prolongue sua alegria nos festejos dos “Santos Juninos”, que vêm logo em seguida.

Com meu abraço fraterno e as bênçãos de Deus.

Dom Ailton Menegussi

Bispo Diocesano

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