#A VOZ DO PASTOR #ROCEIRO MARÇO/ABRIL 2020

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NOVAS DIRETRIZES PARA UM NOVO JEITO DE CAMINHAR (2019-2023)

Quando se fala de evangelização, é preciso entender que, “não se trata de encontrar um novo caminho, mas de um novo jeito de caminhar.” O Caminho é sempre o mesmo: Jesus Cristo e seu Evangelho (Hb 13,8).

 O tempo atual exige de todos nós a renovação de forças missionárias para cumprir a missão de anunciar a Palavra de Deus, promover a paz, superar a violência, construir pontes em lugar de muros; oferecer a misericórdia de Cristo Jesus como remédio para a vingança e reacender a luz da esperança para vencer o desânimo e as indiferenças.

Nosso tempo nos desafia ainda a apostar e a viver testemunhando a fraternidade e a solidariedade de forma efetiva junto aos irmãos e irmãs, em todas as circunstâncias da vida. A Igreja é vocacionada a evangelizar.

As novas Diretrizes da ação Evangelizadora da Igreja no Brasil 2019-2023 se constroem sobre imagem da Casa, com 04 pilares: Palavra, Pão, Caridade e Ação Missionária. A casa permite ingresso e saída. É lugar de acolhimento e envio. E isto inspira os dois grandes eixos das Diretrizes: Comunidade e Missão.

Comunidades que não geram missionários são tristes expressões da esterilidade de quem perdeu seu rumo na vivência do Evangelho. Por outro lado, missionários que não se fundamentem na vida em comunidade correm o risco de se tornarem andarilhos solitários. Nascida e alimentada no coração da vida comunitária, a missão gera novas comunidades, a partir da casa. Este deve ser o movimento: das casas para a comunidade. O “pequeno rebanho,” que cuida da vida pessoal, na doença, no luto etc.

 Nessa perspectiva, o ministro ordenado deve ser o cuidador, o animador das comunidades, o promotor da unidade numa salutar descentralização, o visitador das pequenas comunidades, o animador da vivência do Evangelho, o missionário solidário. “É mais fácil dar os sacramentos do que o coração.” É preciso oferecer um sem negar o outro.

A Assembleia do Regional NE1, realizada em Quixadá nos dias 17 a 20 de outubro de 2019, a partir das novas diretrizes, identificou alguns desafios e ações que poderão ajudar-nos em nossa ação evangelizadora no quadriênio 2020-2023:

  • Assumir a Palavra de Deus como a base da vida dos discípulos missionários;
  • Implantar a Iniciação à Vida Cristã em todas as dimensões da ação evangelizadora;
  • Superar a espetacularização, rubricismos ou liturgias desencarnadas;
  • Resgatar o sentido do dia do Senhor, o Domingo;
  • Promover a animação e a formação para a espiritualidade do seguimento de Jesus;
  • Cuidar e defender a vida em sua integridade;
  • Conscientizar que o sentido da caridade (ação social) perpassa toda a ação da Igreja;
  • Ser uma igreja missionária em todas as suas ações evangelizadoras (transversalidade);
  • Fortalecer ou criar escolas missionárias (Regional ou diocesanas), para a formação dos discípulos missionários;

Nos vários olhares da Igreja, detectamos a missão. É necessário perceber na ação dos diferentes grupos de pastorais, movimentos, ações missionárias. São indispensáveis os sentimentos de afeto e comunhão, fazer com a Igreja e pela Igreja e não simplesmente pelo meu grupo. Sem isso, corremos o risco de sermos tão somente uma ONG.

Assim sendo, a Igreja não pode negligenciar as suas funções: Kerigmática, que é aquela de anunciar às novas aquele núcleo central da fé cristã, sem dar por pressuposto, que já sejam iniciados na fé cristã, ou seja, que “já nascem cristãos.” É importante, ainda, fazer bom uso das novas tecnologias de comunicação;

Koinônica/Acolhedora frente à solidão, ao anonimato, individualismo, isolamento da vida moderna, fortalecendo a vida comunitária, a aproximação das pessoas, o acolhimento, a pertença, o vínculo, num mundo altamente tecnologizado, inclusive nas relações pessoais; sua função Diaconal/Caridade, servindo ao ser humano ferido de tantos modos; indo às periferias, centros abandonados; lutando por terra, teto, trabalho. Enfim, sua função Exorcista/curativa, que é aquela de libertar o ser humano na sua integralidade. É a função terapêutica e espiritual, que liberta dos condicionamentos, traumas e outros males e perigos, inclusive do meio urbano.

Dom Ailton Menegussi

Bispo diocesano de Crateús

 

 

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